Como formular uma candidatura a um emprego

posted in: From Portugal, Personal, Society | 27

Depois de ter escrito um texto a divagar sobre a imigração, eis que venho abordar um outro tema. O da candidatura a (primeiro?) emprego. Seja uma candidatura nacional ou no estrangeiro, o que venho aqui referir aplica-se da mesma forma, pois do outro lado estão sempre pessoas.
Público alvo para este texto são jovens portugueses da faixa etária dos 20-30 anos, académicos ou não, e que estão com dificuldades em entrar no mercado de trabalho. Venho aqui referir a minha experiência como empregador/avaliador, e contar do meu conhecimento no que normalmente vejo de mal nas candidaturas que recebo e que rejeito quase automaticamente. Apesar deste texto estar escrito de uma forma genérica para qualquer candidato, irei fazer uma referência especial às candidatas do sexo feminino.

Aviso, este texto não segue as novas regras ortográficas do Português, e pouco me importa.

A perspectiva de alguém que está agora do outro lado da mesa a ver estas candidaturas é algo curiosa, e para mim foi uma novidade interessante. No entanto é um processo de avaliação muito subjectivo, e depende imenso das pessoas que recebem a candidatura.
Primeiro… quando uma empresa coloca ofertas de emprego on-line é normal demorar alguns dias a ter ressonância. E começa-se a pensar: “Então? Não há gente para trabalhar?” De repente aparece o primeiro. Uma semana depois de ser publicado na página da empresa, e em diversas bolsas de emprego on-line, na universidades locais, etc. E o primeiro candidato não é nada de especial. Começamos a baixar as expectativas, e a pensar que não vamos encontrar um candidato à altura do desafio que se prentende.
Mas logo atrás desse vêem uma série de candidatos, espaçados por alguns minutos ou horas… MONTES deles… e já ficamos mais satisfeitos. Naturalmente que não vamos entrevistar todos, daí a primeira triagem é feita no contexto académico: se estudou o tipo de engenharia certo, por exemplo.
Parece preconceituoso mas é assim. Engenharia do papel ou têxtil ninguém contrataria para uma empresa no ramo médico, por exemplo… mesmo que fosse só para fazer cópias e tirar café.

Ponto 1: Carta de apresentação.
Dependendo do número de candidatos começamos a ser mais selectivos. E a primeira coisa que se lê NÃO É o CV! Mas sim a carta de apresentação. Essa carta é fundamental para passar esta primeira triagem. E é aqui que normalmente encontro pontos para rejeitar logo diversos candidatos.
Um dos erros fundamentais de cartas de recebo é que são genéricas. E nota-se logo: parecem-se com cartas de noivas russas que se recebe no spam.
Por exemplo: recebi uma carta de apresentação de um tipo em que se notou que ele apenas substituiu o nome da empresa na carta, ele candidatou-se à vaga errada! Escusado será dizer que nem sequer um “vamos ver” ele recebeu, foi logo um “desampara-me a loja!“.
Mesmo que demore imenso a personalizar as cartas de apresentação, é algo fundamental e tem de ser feito. Mais vale 5 boas cartas do que 50 genêricas.
Uma boa carta de apresentação deve referir o background técnico do candidato, mas tem de fazer uma referência directa da experiência académica ou profissional às tarefas/cargo que são propostas na oferta de emprego. Se não fizer essa comparação eu coloco logo na pasta “A considerar se não houver mais candidatos“.
Só quando o avaliador dos candidatos, que está a fazer esta primeira triagem, vê que o candidato percebe alguma coisa do assunto para o trabalho em questão é que eles te colocam na pilha de candidatos a considerar.
Os primeiros 2 parágrafos são importantes e mostram que a pessoa tem alguma originalidade (ou não). Há diversas maneiras de formular a mítica frase “venho por este meio me candidato à vaga mencionada no website XYZ“, compete ao candidato arranjar maneira de se expressar.
Nesta altura é que o avaliador vai pegar no CV. E vai procurar referências nele aos temas abordados na carta de apresentação. Onde é que trabalhou/estudou, de quando a quando, teve algum período sem trabalhar? Se sim, porquê? E se o CV estiver bem organizado e fácil de ler então o candidato permanece na corrida. Mais sobre Curriculum à frente.
Se a empresa for algo profissional irão responder imediatamente com um e-mail do gênero: “Obrigado pela candidatura, vamos avaliar todos os nossos candidatos e depois entraremos em contacto.“. O que significa, se tudo mais falhar, voltamos a considerar o candidato. O próximo e-mail mais provavelmente será no fim do processo um “Não, obrigado.“. Mas também poderá ser um “Gostariamos de o conheçer melhor, quando poderá passar por cá?“. Depende da competitividade dos restantes candidatos.

Se o candidato mostrou ter as qualidades que se procuram, então a resposta será algo mais do tipo: “Obrigado pela candidatura, quando estaria disponível para uma entrevista? Proxima semana, proximo mês?“. Passaram à segunda fase, parabéns.

Ponto 2: Curriculum Vitae.
Quando o avaliador pega no CV ele vai à casa do percurso académico e profissional. Na minha opinião, há 2 tipos de avaliadores, e nunca se sabe qual deles estará do outro lado do teu e-mail ou carta. Há os que preferem que o CV seja standartizado para comparar facilmente os perfis de diversos candidatos. Palavra chave: Europass. O outro gênero está farto de olhar para CVs que são todos iguais. Ele está à procura de alguém que se destaque, alguém com sentido profissional mas também original. E aí muitos recém-licenciados não passam esse limiar.
O pior é que é tudo subjectivo, e nada concreto… é uma questão de sorte.
As probabilidades indicam que: ao concorrer para uma empresa pequena (que nem tem um departamento de recursos humanos), eles preferem um CV individualizado e original. Algo que grite “eu estou aqui!” E sou dinâmico, e capaz de enfrentar os desafios que me propõem. Que se destaque como pessoa e profissional, e que não seja igual a todos os outros.
Ao concorrer através de uma empresa de head hunting, ou o departamento de recursos humanos de uma grande empresa, mais depressa eles preferem o CV modelo europeu. Possivelmente colocariam os candidatos numa tabelinha com copy-paste, e andavam a brincar com os conhecimentos ou palavras chave para organizar os candidatos… é altamente despersonalizado/impessoal.

Pessoalmente não acho que devam usar o modelo europeu. Se o pessoal dos recursos humanos quer vos colocar numa tabela, muito bem, mas porque é que lhes hão-de facilitar a vida? Desde que passem a primeira fase, esse pessoal já não toma decisão nenhuma se o candidato é para ser aceite ou não. Utilizem o modelo europeu só quando expressamente pedido.

Ponto 3: Referências e certificados.
Na carta de apresentação pode-se fazer referência aos certificados ou cartas de recomendação. Essas serão avaliadas na primeira fase quando ainda se está incerto se o candidato é alguém que estudou o que se procura, ou quando já o vamos convidadar para entrevista e estamos curiosos nesta pré-qualificação.
Agora que a balança já deverá estar a pender para muito poucos candidatos, a escolha é mais objectiva. As notas / resultado acadêmico entram em jogo apenas para procurar desequilibrar um candidato. Nunca para o excluir. Simplesmente irá indicar qual será o primeiro a ir a entrevista de emprego, ou o segundo.
No entanto é um tema que deverá ser abordado com cuidado. Estas referências e certificados são naturalmente standard, e espera-se que sirvam para mostrar que é um candidato sério. Nada mais.
Se o candidato tiver poucas referências e certificados relevantes para o trabalho em questão, fica a pergunta no ar: “Será que ele(a) realmente é o que diz ser?“. Novamente é uma avaliação subjectiva. Eu pessoalmente só passo os olhos para ver se está tudo em ordem, não leio com detalhe. A menos que tenha uma carta de referência ou certificado particularmente interessante ou importante para a função que procuro.
Falando agora em números. Ter estes papeis digitalizados num PDF à parte é bom, mas não se exagera! Se tiver demasiados certificados, o avaliador vai perder a prespectiva do que é importante… se tiver poucos pode achar que o candidato é simplesmente um novato. Dois a cinco são um bom número. Mas devem ser relevantes (para concorrer no estrangeiro são positivos os de Línguas e Erasmus, para concorrer à industria automóvel, é interessante mostrar um estágio na área por exemplo)
Certificados do Karate ou de violino servem apenas para mostrar que o candidato está seriamente dentro desse assunto não profissional. Isto pode ser bom ou mau, depende da opinião subjectiva do avaliador. Eu pessoalmente não colocaria, deixaria esse tipo de referências não profissionais ou relevantes para o campo “Outros” no CV.

Ponto 4: Entrevista.
Na entrevista de emprego os candidatos vão ser avaliados pelo aspecto técnico bem como o pessoal.
Se houver mais do que uma pessoa, é bom sinal. Se for apenas um entrevistador, vai ser uma processo faseado e muito provavelmente irá envolver uma segunda entrevista.
Na entrevista vai haver uma pessoa do ramo técnico que vai avaliar se o candidato sabe do que está a falar ou não. Se ele percebe do assunto ou está para ali a mandar bitaites. Uma postura séria é necessária, e admitir desconhecimento não é uma falha! Antes pelo contrário, abre portas ao argumento, “tenho imensa capacidade de aprendizagem, e certamente seria um desafio que teria gosto em tomar parte“. Começar a inventar é o pior que se pode fazer… assim que se detecta que o candidato está a argumentar, este está a ser a companhado para a porta.
O aspecto pessoal é o que aos outros avaliadores (ou ao único se for o caso), vai interessar. O que se procura é um candidato que irá integrar a equipa existente, ou em formação, sem problemas. Uma pessoa acessível, sensata e todos os pontos positivos que se gosta… Altamente subjectivo. Aqui vale apenas uma questão de empatia. Ou há ou não há…
Até a questão do vestuário e higiene é importante… Por exemplo, por mais nervosos que estejam chegar a uma entrevista a cheirar a álcool ou tabaco é um no-go. Com o álcool é claro que não vai a lado nenhum e estão ali só a perder tempo, com o tabaco… Odor corporal, tal como o tabaco cai dentro da categoria dos maus cheiros. E mesmo que o próprio não sinta isso porque está habituado, muita gente (eu inclusive) acha isso mal. Vocês estão a tentar agradar a pessoas que ainda não conhecem e a iniciar dessa forma… bem digamos que não se inicia. Para os fumadores, escuso-me de ser paternalista, digo apenas que se o trabalho vale apena então vão comprar pensos de nicotina e não fumem 24 horas antes da entrevista.
Questões salariais serão colocadas na mesa. Ter uma perspectiva realista é importante, mas é preciso estar preparado para negociar. Tanto para cima como para baixo. Aqui é bom saber por experiência alheia quando é que essa função vale, e se for um trabalho especializado então podemos ser mais exigentes. Se for um trabalho que qualquer recém-licenciado pode fazer, naturalmente o valor será menor.

Ponto 5: Pós-entrevista.
Fica sempre bem mandar um e-mail a agradecer a oportunidade de entrevista e reforçar o interesse na oferta de emprego. Mas não o façam soar desesperado… como o exemplo de um tipo que tive cá que depois reduziu a sua perspectiva salarial por e-mail. Na verdade não acreditei que ele fosse capaz de fazer o trabalho que pretendia dele, só por isso é que não estava a ser mais colocado no topo da lista.
Depois de um processo moroso em que todos os candidatos interessantes foram entrevistados faz-se uma lista de preferências, e é o big boss quem vai decidir. Normalmente isto envolve uma segunda entrevista, se ele(a) já não esteve presente. Se o chefe da empresa e decisor principal estiver já na primeira entrevista, isso é fantástico. Já só falta assinar o contracto. Depois desta avaliação poderá demorar um bom mês até que todas as decisões sejam tomadas, que o candidato preferêncial seja contratado, e se isso falhar, então a segunda escolha, terceira, etc…
Por isso, nunca deve um candidato ficar à espera de apenas uma resposta… ele deve sempre continuar a procurar e ter opções. E podem muito bem mencionar que têm outras entrevistas de emprego marcadas. Afinal de contas a entrevista serve para a empresa conhecer o candidato, bem como para o candidato conhecer a empresa.
Agora é também uma questão de timing e sorte… mais do que de jeito.

Ponto 6: Fem. pl. de candidato
Apesar de eu ter até agora utilizado o termo masculino, naturalmente que me refiro a candidato de forma asexual. Tudo o que foi mencionado em cima aplica-se às candidatas também. Com a adição de outros dois pontos relevantes. Um positivo e outro negativo.
Vou começar pelo negativo, pois é o que a maior parte das minhas amigas referiram e o mais chocante / visível.
É um facto (apesar de ninguém gostar de falar nisso), que as mulheres enfrentam um preconceito no mercado de trabalho que difícilmente será colocado de parte. O facto de na sua vida pessoal se decidirem formar uma família, são elas quem vai ter os filhos. Quando ouvi isto pela primeira vez (de UMA colega) até me deu um nó na cabeça. Então porquê? Afinal de contas hoje em dia tanto o homem como a mulher têm direito a tempo de maternidade/paternidade. Mas há um facto inegável, quem vai dar à luz é a mulher. E mesmo procurando ser o mais imparcial possível, esta é a fundamental diferença que torna as mulheres, no paradigma actual, candidatas pouco competitivas. É triste, e eu não gosto disso também… Mas esta mentalidade é o principal obstáculo que as candidatas na casa dos 20-30 anos enfrentam. Candidatas que estão exactamente na idade certa para terem filhos, e que os empregadores olham com suspeitas de ter de prescindir de um elemento da equipa valioso durante um mínimo de 2 a 3 meses vezes o número de filhos que gostariam de ter.
Já ouvi diversas histórias dantescas desta situação… incluindo uma aqui na Alemanha, em que a moça só teve uma entrevista de emprego (no qual ficou depois colocada), quando na carta de apresentação escreveu que “não estava interessada em ter filhos.“. É triste… Eu não vou aconselhar as mulheres a fazerem o mesmo que esta rapariga, mas gostaria de as motivar a quebrar esse preconceito de alguma forma. Infelizmente não sei como.

O segundo aspecto é mais positivo. E é derivado do descrito em cima. Exactamente por causa deste preconceito diversas medidas foram tomadas a nível político para permitir um melhor equilíbrio. E apesar de estar longe de perfeito, está melhor do que anteriormente. Em particular fala-se de quotas, ou até numa questão de imagem para uma empresa apresentar um grupo de trabalhadores equilibrado.
Por isso muitas empresas grandes acabam por contratar exclusivamente mulheres, pois homens já há demasiados, e os candidatos masculinos são educamente colocados fora. Tenho igualmente diversos exemplos disso, desde o CERN, e cito aqui um amargo amigo: “se tiveres maminhas entras logo“, ou ainda um exemplo prático da minha experiência pessoal, em que depois de ter recebido dezenas de candidatos masculinos, e nenhuma rapariga, tive eu de ir à caça de uma pelo Linked in. Ok que era um trabalho para programação, mas há mulheres programadoras por aí! E internamente questiona-se se estamos a ser realmente correctos na nossa abertura, quando NENHUMA mulher se candidata. Em virtude disso tive eu de meter as mãos-à-obra e ir procurar candidatas para entrevistar para o emprego. E posso dizer que as coisas parecem positivas para a moça em questão. Ainda não assinou contracto, mas está quase.
Entretanto já recebi mais 3 candidatas espontaneamente. Infelizmente já vêm tarde, mas ficam para consideração futura.

Às candidatas o que pretendo dizer é o seguinte: Eu já pus o dedo na ferida, mas se ela sangra é porque não está sarada. Compete a vós mudar o paradigma social, e mostrar como se ultrapassa esses preconceitos. Os empregadores querem realmente colocar mulheres no local de trabalho. Por vezes não há candidatas, por vezes quem faz a primeira avaliação dos candidatos é preconceituoso. A única forma de se mostrarem é candidatarem-se. Por isso nunca desistam, escrevam e mandem CV constantemente. Mesmo que já tenham um trabalho, é sempre possível mudar para melhor. Sem medos! Força aí.

27 Responses

  1. Olá! Obrigada pelo texto, que está excelente! No entanto, tenho mais três pontos que gostava que discutisses:

    1. A importância da fotografia, as armadilhas e as convenções.
    2. A diferença entre candidaturas para o privado e para o
    público/organizações.
    3. A importância e forma das candidaturas espontâneas.

    Obrigada, beijinhos e até logo

  2. Vitor Vieira

    Olá Inês,
    pois bem, a foto. Eu esqueci-me de mencionar esse ponto. Na minha perspectiva, depende muito do tipo de trabalho a que se candidata. Se estamos à procura de emprego na área das relações públicas ou algo que envolva muito contacto pessoal com clientes por exemplo. Uma boa foto é importante, pois vai ser um ponto de avaliação. Se ela não estiver lá… faz falta. No entanto, uma candidatura a um lugar mais genêrico, eu já não recomendo incluir foto no CV. Ela pode ser utilizada também para ser motivo de rejeição. Como isto é tudo subjectivo e um jogo psicológico, a menos que o candidato tenha boa confiança e ainda melhor apresentação, não coloquem a foto. Ahhh e não perguntem à vossa mãe / pai se estão bem nessa ou naquela foto. É uma opinião muito enviesada, e por isso deve ser desqualificada.

    2- Não tenho conhecimento de diferenças entre o privado ou o público. Tanto quanto sei, para o público basta ter a cunha :p Agora falando a sério, acho que qualquer organização pública que seja minimamente profissional, vai reger-se pelos mesmos parâmetros aqui expostos.

    3- A diferença de uma candidatura espontânea para uma a uma vaga específica, está na quantidade de preparação. Na candidatura à vaga, já está lá bem claro o que é que a empresa precisa. Respondam a isso… numa candidatura espontânea, é necessário pesquisar MUITO sobre o que é que eles fazem e ter uma ideia do que é que nós como candidatos temos para oferecer.

    • Em relacao a foto, aquilo que eu tenho percebido aqui na Alemanha e o seguinte: se tens uma boa foto, USA-A. E vale bem a pena investir umas massas numa foto profissional, ou pedir a um amigo com jeito para isso que a faca – eu pedi a alguem para a fazer por mim, e resultou muito bem. Claro que foi preciso informar-me muito bem de como tinha que ser, escolher uma altura do dia com excelente luz, um bom fundo, varias roupas, etc etc. Uma foto vale mil palavras: se for uma ma foto, o cv aterra logo no caixote do lixo; se for uma boa foto, pode ajudar muito. Vitor: havias de fazer um post sobre comodeve ser uma foto de cv!! Afinal, tu es especialista nessa area 😉

  3. Vitor Vieira

    Outra coisa que entranto numa conversa veio ao de cima, e será interessante para candidatos do sexo feminino.
    Os problemas mencionados em cima podem ser ligueiramente suavizados com uma outra abordagem. Nos Estados Unidos é proibido perguntar aos candidatos qualquer coisa do foro pessoal, o que é bom… na Europa (que eu conheço) não temos essa restrição. Normalmente não se pergunta, mas nunca se sabe…
    A questão de ter ou não filhos fica sempre no ar com mulheres, e as mulheres podem endereçar isso de maneiras diferentes. O exemplo que tinha escrito em cima, revela uma abordagem muito directa. Mas há abordagens mais suaves, em que as mulheres podem tomar, escrevendo frases na carta de candidatura coisas do gênero: “estou muito motivada para perseguir a minha carreira,e tenho claros objectivos pessoais e profissionais”. Mesmo que seja uma mentira, escrevam-no! E se surgir na entrevista, digam-no! Não usem as minhas palavras, mas algo semelhante.

    Quanto aos homens, é aqui que os homens de um modo geral podem ajudar as vossas parceiras (e sim eles devem fazem-lo pois têm namoradas, mulheres, irmãs, mães e não porque estão a competir para a mesma vaga).
    Quando chegar à altura de terem filhos, tirem a licença de paternidade a que têm directo! Só quando for bem claro que os homens também podem faltar alguns meses ao trabalho devido aos filhos é que as mulheres começam a deixar de parecer o “sexo fraco”. Infelizmente isto vai durar gerações…

    • SIM!!! E verdade! A licenca de paternidade pode ajudar imenso, e e uma excelente maneira de evitar prejudicar uma carreira. E segundo um artigo no Publico, os homens que a tiraram adoraram o tempo que passaram com os pequenotes – ou seja, foi muito bom tambem para a vida familiar deles.

  4. Muito interessante de ler a forma como escolhem as pessoas. Eu sempre tive muitas dificuldades com as empresas de recrutamento. Sobretudo porque tive experiências muito desagradáveis. Posso dizer que numa empresa estatal era para ser contratado como 1ª escolha mas fui passado à frente por um assessor do presidente de uma câmara municipal que tinha, por inerência, assento no CA dessa empresa estatal. O tal do assessor que trabalhava na câmara trabalha agora nessa empresa estatal. O que me entrevistou disse-me que “apesar de eu ter sido primeiro havia outro tipo de avaliação feita no último momento”. A avaliação foi a “cunha, o “tacho” que o Presidente de Câmara meteu para acomodar o assessor no lugar.

    E assim vai o meu país com bancarrota e cunhas. Os que tem mérito e qualidade são preteridos em favor dos medíocres que vivem à sombra de “cunhas” e “tachos”. Cada vez sinto mais vontade em largar este país de vez e emigrar.

  5. anabela costa

    ola. texto fantastico com otimas ideias para elaboraraçao da carta de apresentacao.

    Eu estou em França ha quase dois anos e ja em desespero para arranjar emprego, so que estou com muitas dificuldades em escrever uma carta de motivaçao/apresentacao. Isto porque a minha experiencia profissional em Portugal era na area de secretariado, mas aqui nao me poderei candidatar devido a lingua francesa. Precisava de ajuda em como fazer uma carta generalizada; isto porque aqui vou me candidatar ou para limpezas; repositora de hipermercados, ou seja empregos que estejam mais apropriados devido a lacuna da lingua.

    Obrigada

    • Porque nao fazes um curso de lingua francesa? A morar em Franca, ficas fluente em menos de 6 meses!

      Cuidado com cartas generalizadas, que se topam a distancia. Uma carta de motivacao deve ser sempre feita a medida da vaga. E nao tenhas medo de falar de assuntos pessoais, como disse o Vitor la em cima. Uma carta de apresentacao DEVE SER pessoal. Por exemplo, porque e que foste para Franca (e nao outro sitio qualquer)? Porque e que queres ficar ai? O que e que ambicionas na tua vida futura, para que e que trabalhas? Do que e que gostas na empresa a que te diriges e como te identificas com ela? A fase de candidaturas e muito olhar para dentro e ver quem somos, para onde queremos ir e que ferramentas temos para la chegar – e expor isso de uma forma que os empregadores percebam…

  6. Boa tarde,

    Li atentamente o texto e realmente tem dicas fundamentais para se poder elaborar uma carta de apresentação boa.
    Mas gostaria de saber como um recém licenciado poderá elaborar uma carta de apresentação, uma vez que não tem experiência nenhuma a não ser a do estagio. Podendo ele, candidatar-se também a outra vertente da licenciatura se não a que estagiou.

    Obrigada

    Aguardo uma resposta

    Atenciosamente

    • Boas, o único concelho que tenho para recém-licenciados bem como a alguem com experiência profissional é: Vende o que tens para vender.
      No teu caso, o peixe é ser novo (e daí potêncialmente dinãmico, com vontade/fome de crescer, de aprender, etc), algo que uma pessoa mais velha (e com mais experiência) irá ter mais dificuldade. É um jogo psicológico, claro, mas é a realidade humana.
      Não tendo experência profissional ficam sempre retidos ao que fizeram durante a universidade. Se não há estagio que possa ser referido na área em que te candidatas, talvez um trabalho, um estudo, algo do gênero. Mostra que te informaste sobre o assunto de alguma forma… lê sobre o tema em questão, opina. Já lá vão os tempos em que se queriam escravos sem cérebro, agora para ser escravo é preciso ter curso (já dizia a fadista).
      Não tenhas medo de mostrar alguma característica pessoal que te tenha levado à candidatura. Atenção que não me refiro aqui a tachos! (Algo que abomino) Mas sim a algo do gênero: em virtude de ter (tido) um(a) namorado(a) estrangeiro, aprendi uma língua diferente e com isso posso ser útil em contactos com clientes desta nacionalidade por exemplo.
      Mostrar capacidade de trabalho em equipa ou iniciativa propria pode ser feito com actividades extra-curriculares, como por exemplo desportos em equipa. Ter um grupo ou ter sido líder de um grupo de escuteiros, coisas assim do gênero. Algo que a universidade não nos preparou, viver. Isso é o que como recém-licenciados tempos para mostrar e é isso o que devemos o fazer.
      Se o anúncio dizer que procuram alguem com experência, IGNOREM! E candidatem-se. Só assim é que vão vencer as ondas -> head on. Pode ser que fiquem mais para o fim da lista, pode ser que não haja mais ninguem a candidatar-se e o lugar seja vosso, pode ser que não seja assim tão importante quanto isso… São questões que só poderão ser respondidas se decidirem apostar.

      Boa sorte

      Vitor

    • Ahh lembrei-me de outra coisa que pode ajudar um recém-licenciado. Cartas de recomendação do professor orientador. Não tenham medo ou vergonha de as perguntar. Sempre é melhor e ajuda a destacar um candidato de outro.

  7. Boa tarde.

    Antes de mais queria dar os parabéns ao Vítor Vieira pelo site e agradecer o fornecimento da perspetiva de quem está do lado de lá a recrutar. Gostava que mais recrutadores tomassem esta iniciativa. Eu sou recém-formado na área da Engenharia, acabei o curso há 6 meses e ainda estou à procura do meu primeiro emprego. Tenho uma dúvida relativamente ao tipo de candidatura que se deve fazer a uma empresa, e aposto que não sou o único. Serão melhores as candidaturas espontâneas ou candidaturas em resposta a anúncios específicos? É que cada uma delas tem as suas vantagens na minha opinião. As candidaturas espontâneas podem demonstrar um grande interesse na empresa à qual se está a candidatar, prestando-se o candidato a assumir qualquer cargo que se enquadre nas suas competências. Porém, as candidaturas a anúncios de empregos específicos denotam a realização de mais trabalho de casa e talvez também uma maior definição de objetivos profissionais por parte do candidato. Também me parece que as candidaturas espontâneas são um pouco ignoradas em detrimento das respostas a anúncios específicos. Qual destes dois tipos de candidatura é melhor na sua opinião?

    Cumprimentos.

    • Bom dia.
      Aurélio, como bem disseste cada tipo de candidatura tem as suas vontagens e desvantagens. E portanto na minha opinião, não nos devemos restringir ao tipo de candidatura. O cerne da questão é mais o que é que o candidato quer?
      O que quero dizer é o seguinte:
      Quando escrevemos uma BOA candidatura espontânea estamos a dizer: “Voces são fixes e fazem o que eu também gosto. Tenho a certeza que poderiamos ter uma relação profissional sinergética. Tenho compentências que irão trazer mais valias à empresa e terei igualmente a oportunidade de crescer, aprender e fazer mais”.
      Quando escrevemos uma MÁ candidatura espontânea estamos a dizer: “Ohhh pá, estou desesperado, voces têm umas esmolinha aí para mim?”
      Uma BOA candidatura a um anúncio a mensagem é: “Gostei da proposta de trabalho e tenho confiança que estou à altura do desafio. Voces parecem interessantes e gostaria de trabalhar convosco.”
      Uma MÁ candidatura a um anúncio a messange que passa é: “Ohh pá estão a dar pão? Eu quero! Nem sei o que é que estão a pedir de mim, mas se há pão contem comigo!”.

      O que muitas vezes diferencia uma boa candidatura de uma má, é exactamente a quantidade de esforço colocado na pesquisa de informação sobre o tema. E sejamos sinceros, uma empresa mesmo de renome e conhecida necessita que se investige um pouco mais sobre o que é eles fazem e como é que o fazem para poder escrever uma boa candidatura espontânea. E isso dá mais trabalho do que a resposta a um anúncio, onde eles já indicaram o que querem do candidato.
      E no fim é o candidato que deve saber o que quer e preparar-se de acordo.
      O problema normal dos recem-licenciados é que não sabem o que querem. Sabem que querem trabalhar, e portanto o normal é escreverem candidaturas mais fracas em virtude do desespero. Mas não se iludem, as empresas estão igualmente desesperadas à procura de bons profissionais. E da mesma maneira que as empresas selecionam candidados (separar o trigo do joio), igualmente os candidatos devem de ver que boas empresas ou possibilidades profissionais é que há.

      Aqui é uma estão pessoal, o candidato deve saber o que gostaria de fazer. Se ele quer trabalhar com a empresa XYZ porque tem uma afinidade pessoal pela marca ou a ideia da marca, então deve candidatar-se espontanêamente à dita empresa. E preparar uma boa candidatura… ler muito sobre o que eles fazem, e como fazem o quê na sua area profissional. Por exemplo, vão potencialmente descobrir que a empresa sub-contracta serviços de marketing a uma outra empresa. E portanto um candidato que quer algo em Marketing, está a colocar mal a candidatura na empresa XYZ pois é a empresa ABC que na verdade trabalha na area. Exemplos disso são Apple, Microsoft, Ferrari…
      Se o candidato quer trabalhar uma are específica profissional, então deverá procurar quem é que está à procura dos serviços que o candidato pode prestar. E preparar-se adequadamente.

  8. Inês Coutinho

    Boa tarde. Chamo-me Inês e vivo em Portugal. No entanto estou seriamente a pensar em emigrar para a Suíça. Mas como fiz o 12º ano com um Curso Profissional não acho que tenho muitas hipóteses na área que estudei. No entanto estou a pensar procurar trabalho na área das limpezas, serviço de quartos, algo do género. Sei Inglês, Francês, e Alemão. Só não sei onde e como procurar o tipo de trabalho que quero, pois das incontáveis vezes que procuro, raramente encontro alguma coisa. Estou a procurar mal porque não sei como o fazer ou onde.
    Agradecia muito a sua ajuda, por favor.

    • Boa tarde Inês.
      O texto que eu escrevi era mais orientado a mão-de-obra qualificada. Normalmente esse tipo de mão-de-obra têm bases de dados muito facilmente acessíveis. No teu caso é um bocado chato pois nínguem coloca on-line um anúncio para empregada de limpeza. No entanto com as tuas qualificações em linguas estás muito melhor colocada do que muita gente. Na verdade, até acho que estás a fazer-te pequeninha com os teus conhecimentos, e deverias “vender-te” melhor. Isto até soa mal dizer a uma moça, mas espero que compreendas o que quero dizer.
      A meu ver tens 3 opções:
      1- Vais para o país, obtens uma morada local, inscreves-te no centro de emprego. É uma opção válida, mas não esperes grande coisa. Normalmente é um poço sem saída.
      2- Procuras directamente empresas onde possas ter hipoteses de entrar numa espécie de grupo de trabalho. Por exemplo há empresas especializadas em limpezas, e elas precisam de mão de obra. Não procures por locais de trabalho, mas por empresas que vendam os serviços de limpeza.
      3- Pensa um pouco fora da caixa. Uma rapariga com os teus conhecimentos de línguas poderá fornecer muitos outros serviços, desde recepção de hotel, secretaria, etc. Fala por exemplo com a embaixada ou consulado Português, para saber se eles precisam de pessoal com as tuas qualificações. Sem medos nem olhar para tras, mas com confiança. Pode ser até que eles tenham o contacto para algum grupo onde possas obter trabalho.

      O principal é não ficar quieto à espera que nos venham bater à porta.
      Boa sorte.

      • Inês Coutinho

        Boa tarde. Agradeço imenso a sua resposta.
        Mas essas empresas que vendem os serviços de limpeza, essas estão on-line, talvez… Eu só pensei em começar num hotel pois se eu for vou para o cantão de Zurique – e aí fala-se o Alemão, como sabe. Embora que eu saiba a língua, ainda não estou familiarizada com ela a 100%, pois nunca precisei de falar com nenhuma pessoa Alemã de nacionalidade, enquanto que com o Francês e o Inglês eu estou completamente à vontade. Tenho muita família na Suíça. E o meu namorado conseguiu um contrato com da ajuda de familiares, e vai no próximo mês, vai ficar nos quartos que a empresa que o recrutou cede aos empregados.
        No entanto os meus familiares estão todos na parte Francesa da Suíça. E não quero estar a “pedir” pousada, se é que me entende. Nos hotéis eu sei que alguns ajudam com o alojamento no próprio hotel, o que é óptimo, e é menos dinheiro a gastar do que se tivesse que ter uma casa/ apartamento.
        E que morada coloco no meu CV, visto que vivo cá em Portugal?

        Muito obrigada.
        Inês

        • Ola Ines,
          resolvi responder ao teu post – acho que posso ajudar. As embaixadas ajudam pouco na procura de emprego e, como o Vitor disse, com as tuas qualificacoes, acho que te estas a vender por pouco. Qual e o teu curso tecnologico? De qualquer forma, podes pensar em experimentar o seguinte:
          – procura websites nao de emprego, mas locais, da regiao onde queres instalar-te. Muitas vezes esses sites tem pequenos anuncios para posicoes nao so de limpezas, mas de secretariado, contabilidade, ajuda em jardins de infancia, etc..
          – pede a alguem da tua familia, ou de confianca, que te leia os classificados do jornal e que veja que anuncios te poderao interessar; ou que fotografe as paginas e tas mande. Jornais locais tem muitas vezes esse tipo de anuncios tambem.
          – procura na net empresas suicas que tenham negocios com portugal e com o brasil – tens muito menos concorrencia do que em empresas portuguesas com negocios na suica… mas tambem podes procurar essas.
          – procura hoteis – se e isso que queres fazer – e explora as paginas deles. Procura la o contacto da pessoa responsavel e telefona-lhe! Pergunta se ha vagas, se vai abrir, etc etc. Com um telefonema 1. provas os teus conhecimentos de lingua, 2. mostras o teu interesse e 3. crias um contacto pessoal.

          O que e importante e, como o Vitor ja disse, saber o que queremos, e concentrarmo-nos nessas posicoes. E ir atras delas. Procura nas linguas do cantao, e considera a hipotese de ires para o cantao frances, mesmo nao estando a viver com alguem da tua familia. E podes sempre perguntar a alguem da tua familia se podes usar a morada deles para por no CV, com a indicacao de “morada para contacto” ou qualquer coisa do genero, nao vao eles achar que tu moras la e chamar-te para uma entrevista no dia seguinte! Mas assim sempre mostras que tens la ligacoes e apoios.

          Espero ter ajudado. Boa sorte!

  9. Olá. Obrigado pelas dicas. Gostaria de saber se ao enviar uma candidatura espontânea para uma empresa, o assunto do email deverá ser outro que não “candidatura espontânea”, ou seja, o assunto influencia de alguma maneira se o email é lido ou não? Obrigado

    • Depende de quem está no outro lado a ler os e-mails. O mais recomendado é sempre fazer referência a uma oferta que a empresa publicou. No caso de uma candidatura expontânea, recomendo adicionar immediatamente o tipo de trabalho a que o candidato(a) se está a candidatar. Assim é mais fácil filtrar, reencontrar no futuro, e se houver uma vaga ou eles por acaso precisam de alguem naquela area, é logo um alerta.
      Por exemplo: “Candidatura expontânea para posição de programador” ou “Candidatura a uma vaga em design de produto” são boas maneiras iniciar, e garantem mais atenção do que simplesmente “candidatura expontânea”, “procuro emprego” ou “aqui está o meu CV”.
      Pode ser que na altura em que o candidato manda o e-mail não seja necessario alguem na area, mas se no futuro imediato (até um ano) alguem se lembre de dizer: “ei.. precisamos de alguem para fazer este trabalho!”, o que os candidatos querem é que o pensamento seguinte seja: “espera lá… eu lembro-me de ter visto um e-mail sobre isso! Ahh encontrei facilmente, vou chamar a pessoa!” e não: “será que alguem se candidatou? Não encontro e-mail nenhum… bem vou ter de publicar uma vaga e ficar à espera”.
      Boa sorte.

  10. Boa tarde,

    Gostava que me explicasse uma coisa!Se dizem que um CV não deverá ter mais que duas páginas mas, no entanto, refere que analisa o facto de se o candidato esteve algum tempo desempregado e porquê. Imagine que a última experiência de trabalho não é relevante para a função a que me candidato. Ou a primeira, ou simplesmente um voluntariado ou cursos que fomos tirando ao longo da graduação. Ou seja, a minha questão é: para o CV ter duas páginas, no máximo, teremos que ocultar informação que embora não tenha relação com a função a que nos candidatamos mas o avaliador pode pensar que foram períodos em que o candidato não fez nada.

    Obrigada!

    Cpts!

    • Sara, acho que o nesse caso o que necessitas é de um bom template para um CV. Pode ter até 3 páginas, atenção… 2 páginas normalmente é o suficiente para resumir a informação relevante, mas se o template que escolheste acaba por necessitar de 3 páginas é aceitável. Já mais do que isso não é. O que levanta a questão dos académicos.. mas e as minhas publicações??? Então para isso há uma lista em anexo de publicações, e no CV fica apenas a referência à existência dessa lista.
      Voltando à tua questão fulcral: Se uma das tuas experiências profissionais não é relevante ao cargo que te candidatas, deves colocar na mesma para evitar buracos cronológicos, mas podes dar menos relevância ao colocar uma fonte mais pequena, ou de uma cor menos saliente… tudo depende do template que escolheres.
      Relembro que o europass é uma má escolha de um template de CV.
      Boa sorte :)

  11. Maria Natália Lourenço

    Boa tarde:
    Muito obrigada ao Vítor e à Inês.
    Estas informações estão maravilhosamente esclarecedoras.
    Como resolvi mudar de vida muito depois dos 50 andei na universidade e vou partilhar com o grupo as vossas informações.
    Não conseguirei, para mim, trabalho mas ajudo os meus colegas.
    Porém, tal como ambos dizem, não me vou desvalorizar! Vou reformular o meu CV com os parâmetros corretos. Até porque, quem sabe?
    Percebi que não há certezas nem decisões pré-estabelecidas.
    A mim nada mete medo e também o que tenho a perder?
    Um beijinho aos dois (vêm a vantagem da idade?)
    Com admiração
    natalia

    • Boa tarde!
      Fico contente que esta informação seja útil e que ajude mais pessoas a solucionarem os seus problemas profissionais. Quanto à idade, apesar de ser em diversos campos relevante, não quero que a Natália pense que por ter 50 anos que não vai conseguir trabalho!
      Antes pelo contrário, há diversas funções e tarefas que são melhor desempenhadas por pessoas com mais experiência (nem que seja de vida), e que pessoas mais jovens não são adequadas.
      Aqui é importante saber o que é que cada indivíduo como profissional tem para oferecer, e saber “vender o seu peixe”.
      Para dar um exemplo exagerado, se a Natália concorrer para piloto de formula 1, porque afinal de contas já tem carta à mais de 30 anos, não se espante por só receber negativas. :)
      Reformular o CV para realçar essas características de mais valia, e investir na pesquisa de trabalho onde esta será valorizada, é sem dúvida o caminho a seguir.
      Força aí.

  12. Boa tarde,

    antes de mais devo felicitar lhe sobre as informações que serão úteis para as pessoas.

    Eis as minhas dúvidas:
    – estive a verificar vários tipos de modelos que são usados nos outros países e o que chamou-me mais atenção foi o modelo de Brasil.
    Eu estou pensar viver futuramente para o Brasil, ora, teria que modificar o meu currículo vitae e adaptar para o modelo brasileiro? Já vi pelo menos 10 exemplos relativamente aos modelos brasileiros e por isso fico sempre na dúvida qual o melhor modelo para o meu currículo.

    – deparo-me com vários sites brasileiros (cadastros) mas a maioria deles é necessário activar assinatura (efectuar pagamentos) para poder pesquisar as vagas, ou então, na altura de preencher os dados pessoais é obrigatório preencher “CPE” (Código de Endereçamento Postal) ou inscrever no CPF que diz respeito a um documento para identificar a pessoa. Tem conhecimento de um bom site em que se possa enviar candidaturas?

    Obrigado
    Cumprimentos,
    Ismael

    • Boa tarde. Bem, eu só vim uma vez o esquema brasileiro de carta de apresentação + CV tudo misturado. Achei interessante, e uma variante curiosa da forma de se apresentar. Mas para alem disso não tenho mais nada a acrescentar. Tenho muito pouca experiência nesse sentido. A regra geral que posso recomendar, é em Roma faz como os romanos. Se é assim que os brasileiros se apresentam para ofertas de emprego, é assim que os empregadores estão habituados a receber os contactos, e portanto é como deverás te apresentar no Brasil. Escolhe lá o que achares melhor e vais refinando à medida que recebes feedback.
      Quanto ao CPE, conheces brasileiros na zona que queres trabalhar? Pergunta-lhes qual é o código postal que eles têm e coloca lá. Não inventes muito, nem procures justificar o facto que não estares na cidade na altura em que fazes a candidatura. Se és mão-de-obra especializada, refere que estás disposto a deslocares-te para a dita cidade (custo próprio) porque achas o trabalho interessante (mesmo que não aches). Se não és mão-de-obra especializada, então só tens o remédio de te descolar (por conta própria) e procurar então localmente. É um risco superior, mas não tens grandes hipóteses.
      Não conheço nenhum site para colocar candidaturas no Brasil. :/ Sorry, o melhor é mesmo falar com alguém que percebe do assunto (Brasil).
      Boa sorte!

Leave a Reply